Governo Federal e entidades repudiam onda de ataques machistas e racistas no futebol
Árbitra Daiane Muniz durante partida (Foto: Reprodução/Instagram)
Os Ministérios do Esporte e das Mulheres divulgaram uma nota conjunta neste domingo para classificar como absurdo o episódio de desrespeito profissional e machismo contra a árbitra Daiane Muniz. A profissional foi alvo de declarações misóginas do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, que, após a eliminação de sua equipe no Campeonato Paulista diante do São Paulo, afirmou que a federação não deveria escalar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho. No comunicado oficial, as pastas ressaltaram que Daiane é uma árbitra com qualificações da FPF, CBF e FIFA, enfatizando que um homem na mesma posição jamais teria sua competência questionada apenas pelo seu gênero. O texto reforça que o respeito às mulheres é inegociável e que elas devem ocupar todos os espaços que desejarem, seja no campo, na gestão ou na arbitragem.
A repercussão negativa das falas do atleta atingiu o ambiente familiar, com sua esposa e irmã reagindo duramente ao gesto, o que levou Gustavo Marques a se desculpar ainda na zona mista do estádio. Além disso, a direção do Red Bull Bragantino e a Federação Paulista de Futebol condenaram o ocorrido, sendo que a FPF anunciou o envio das declarações à Justiça Desportiva para a tomada das providências cabíveis. Este cenário de intolerância se soma a outro caso recente em que os ministérios se manifestaram contra uma homenagem feita por jogadores do Vasco da Gama do Acre a três atletas presos sob acusação de estupro coletivo. Na ocasião, o time posou com as camisas dos colegas detidos, em uma partida que também marcou a estreia do goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo homicídio de Eliza Samudio, gerando forte repúdio governamental contra a naturalização da violência de gênero no esporte.
O cenário de hostilidade no futebol também atravessou fronteiras e envolveu questões raciais durante a semana. Na última terça-feira, o atacante brasileiro Vini Jr., do Real Madrid, foi alvo de ofensas racistas proferidas pelo argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, durante partida da Liga dos Campeões. O episódio forçou a paralisação do jogo por 11 minutos para o acionamento do protocolo antirracismo da UEFA. Em resposta, os Ministérios da Igualdade Racial e do Esporte destacaram a importância da investigação aberta pela entidade europeia e reafirmaram o compromisso do governo brasileiro em monitorar o caso. Essas ações fazem parte de um protocolo de intenções firmado em 2025 para intensificar o combate à discriminação racial e garantir que o ambiente esportivo seja um espaço de respeito e integridade para todos os atletas.
Fonte: Agência GOV